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Educação de Pessoas com Necessidades Especiais

Page history last edited by stela 2 years, 10 months ago

 

 

MINHA EXPERIENCIA COM INCLUSÃO

N o ano de 2005, depois de oito anos na direção de uma escola de Educação Infantil, retornei  a sala de aula, pela manhã com uma terceira série e a tarde com quarta série,no inicio foi preciso uma readaptação de minha parte pois eram vários anos fora da sala de aula.No final do mes de abril  fui chamada pela direção  e me informaram que iria receber um aluno com necesidades especiais, ele tinha 12 anos e não havia se adaptada na escola que frequentara até então, a principio seria a nivel de experiencia, pois ele aguardava vaga na APAE.Um pouco assustada  perguntei qual era a dificuldade do menino e ffui informada que a escola nâo havia recebido nenhum laudo até o momento, mas que o menino era inteligente, porém não conseguia concentrar-se e era inquieto.Conversai com meus alunos e expliquei que iamos receber um colega que necessitaria de um atendimento especial de minha parte e que seria necessario também a colaboração deles para que o novo colega se sentisse bem aceito na turma.Como seria de esperar eles me questionaram  mas eu mesma não sabia as respostas.No primeiro dia de aula Diogo entrou normalmente na sala com os demais colegas, fizemos as apresentações  normais e pedi a ele que ocupasse  o lugar a ele destinado, o que ele recusou  pois queria sentar-se na primeira classe, ajeitei e deixei que sentasse junta a minha mesa.Iniciei a aula normalmente e no inicio ele permaneceu calado, porém não fazia nada do que era sugerido; de repente  ele  levantou-se foi até a janela e começou a pedir socorro, gritava e chamava a policia, queria sair da sala e tive que permanecer na porta para que ele não saisse, conversei com ele e depois de algum tempo consegui acalma-lo, ele me disse que gostava de fazer calculos e providenciei entre minhas atividades  extras, algumas que continham cálculoe e dei a ele, segui minha aula,mas dentro de pouco tempo ele havia terminado e pediu para ir ao banheiro, deixei, e ele não voltou pra sala, tive que ir busca-lo, poie ele estava passeando pela escola de sala em sala, pedindo que chamassem a policia, levei-o de volta e a partir dali sempre que pedia para ir ao banheiro, tinha que leva-lo.Algumas vezes ele não queria ficar na sala, se jogava no chão, gritava e dizia que estavam judiando dele, conversava com ele, tentando acalma-lo, mas não conseguia mais dar aula, pois ele exigia toda minha atenção e se tornava agressivo se atendia os outros alunos.Sua capacidade de concentração era muito pequena,mas adorava falar sobre computadores, falava de jogos e programas que na época eu desconhecia.

Diogo ficou em minha sala durante tres semanas, não tive nenhuma ajuda, nesse periodo não conseguia desenvolver minhas aulas com os demais alunose mesmo depois que ele saiu da escola não obtive nenhm laudo sobre o que ele tinha. Por isso questiono quando falamos em inclusão, neste caso incluimos um aluno com deficiencia, mas em contrapartida durante o tempo que ele esteva em nossa  sala todos os outros alunos foram excluidos.... A mãe acabou mudando-se e ele me parece passou a frequentar uma escola especial .Sei que não fiz o necessário para ajuda-lo,mas fiz o que sabia, o tratei com carinho e respeito, não tinha os conhecimentos que tenho adquirido aqui e sei que isso que aconteceu comigo é muito mais frequente que imaginamos.

 

 

 

 

 

                                  

 

REALIDADE ESCOLAR

 

ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL  PROF. MARTIN FREDERICO RASKE

Dados da Escola:

 

Número de Alunos: Jardim a 8º serie 526 alunos - Diurno

 

Número de Funcionários:47 entre todas as funções desenvolvidas na escola

 

Número de Alunos de Inclusão: 10 alunos

 

                                            Casos: *1 baixa visão

                                                       * 1 má formação celebral

                                                       *1 deficiência física

                                                       * 2 hiperatividade

                                                       *1 dislexia

                                                       *4 dificuldades na coordenação motora, na aprendizagem e atenção

 

Dados fornecidos pela coordenadora pedagogica da escola, que é quem faz o acompanhamento desses casos.

A escola oferece aos alunos com dificuldades de aprendizagem, aulas complementares no turno oposto. 

 

EDUCAÇÃO DE PESSOAS ESPECIAIS EM MINHA CIDADE

 

O Municipio em que leciono, atende a Educação Especial de forma precária, seguindo apenas o que rege a legislação vigente, na sua obrigatoriedade.

Os alunos especiais ou com dificuldades de aprendizagem frequentam as classes regulares, onde na maioria das vezes os professores não recebem orientaçãoe especifica sobre cada caso e devem por conta pr´pria procurar inteirar-se do diagnósticodo aluno, contam com o apoio da coordenadora pedagógica da escola que na maioris dos casos encaminha o aluno a psicológa para que o avalie e faça um diagnostico.A busca de atendimento especializado é feita pelos pais, pois o municipio não possui nenhum tipo de atendimento especializado (fonoaudiológa, neurologista, médico especialista, psicopedagoga). Em alguns poucos casos é destinada uma pessoa para auxiliar o professor(sem qualquer tipo de especialização e sem concurso público), o papel da escola é apenas o de se adequar as leis e se possivel promover a socialização da criança.Encontramos professores comprometidos, que buscam auxilio, se dispõe a ajudar a criança, mas esbarram na pouco vontade e segundo argumentos indisponibilidade de recursos.O plano de carreira do municipio preve um adicional de 30% no saláriodo professor qualificado e que atenda alunos especiais, mas não temos conhecimento de nunhum professor que receba tal adicional, pois a casos de professores que receberam o curso especifico para atendimento desses alunos, no entanto não os atendem, ficando a cargo daqueles sem qualificação.

 

             

 

 

 

 

ANÁLISE DE CASO

 

Na escola onde atuo  temos diversos casos de alunos que são considerados inclusão, porém irei deter-me no caso do menino ( Pedro) por tratar-se de um caso que acompanho a mais tempo,mesmo não tendo ainda o atendido como aluno.

Pedro é um menino de 8 anos, que frequenta o segundo ano, clinicamente o laudo dado pelo psiquiatra é que o menino apresenta problemas de convulsão e hiperatividade,porém quem convive com ele acredita que aja mais alguma coisa que por omissão da familia não tenha sido diagnosticada.ele faz uso de diversos medicamentos que causam reações ou efeitos colaterais que alteram a rotina do menino, ele diz que sente o cheiro de seu pai e o o vê ( o mesmo faleceu a cerca de 4 anos).Pedro não aceita ser contrariado e se isso acontece fica agressivo, mas, nas suas condições relaciona-se bem.possui bom raciocinio lógico mas não tem paciencia para repetições, tudo deve ser novo a cada instante, gosta de livros e distrai-se com os mesmos, desde que lhe sejam oferecidas várias opções para troca.

Durante esse primeiro ´mês de aula observei várias reações do menino, sai correndo da sala, subindo nas cercas, atirando o que tiver pela frente em quem tenta conte-lo, entra nas demais salas interferindo nas aulas e falando coisas sem nexo, desenvolveu predileção pela professora da hora do conto, com quem diversas vezes ficou, pois a professora titular não conseguiu conciliar a aula com ele presente: a mesma coloca que Pedro foi colocado em sua sala e a mesma não recebeu qualquer tipo de orientação de como proceder com o mesmo.

Outro fato que se destaca é a fragilidade social da familia, a mesma é acompanhada pelo Conselho Tutelar,mas até onde se sabe não de forma intensiva como deveria,pois o proprio Pedro conta que muitas vezes deixa de tomar os remédios.Segundo decisão conjunta da Secretária de Educação e do conselho tutelar Pedro deveria permanecer na escola somente até a hora do recreio, entretanto raramente sua mãe vem busca-lo no horário combinado, inclusive, numa das vezes em que veio, a coordenadora colocou que ele havia tirado dinheiro de um colega e que ele vinha inventando coisas e mentindo, a mãe, dentro da escola espancou o menino e o levou pela orelha até a sala para que pedisse desculpas aos colegas e a professora, acredito que tal fato seja uma mostra de como a criança é tratada em casa.Talvez com acompanhamento correto e com pouco de carinho e atenção Pedro poderia ter sucesso,mas infelizmente percebo que só fazem resaltar suas deficencias o que no caso só o torna mais agressivo.

A  algumas semanas atras, Pedro e  sua familia vieram morar proximos a minha casa, pois sua mãe, depois de um rápido namoro resolvei morar com meu vizinho, tenho aproveitado algumas oportunidades para obsreva-lo no convivio familiar.Varias vezes o vi, sentado apático, sem brincar ou interagir com outras pessoas, jamais o vi  na rua, a mãe normalmente o mantém nos dentro de casa e por orientação do atual padrasto  o mesmo deve permanecer nos fundos da casa, algumas vezes ouvi ele sendo ameaçado pelo padrasto que diz que vai ensina-lo a se comportar

 

 

 

AVALIAÇÃO 

   AVALIAÇÃO TRIMESTRAL DO ALUNO PEDRO, REFERENTE AO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2009

 

 

 

ANALISE DA AVALIAÇÃO

 

A avaliação é feita  através de parecer descritivo,entretanto percebe-se claramente que não há um acompanhamento especifico do desenvolvimento deste aluno de acordo com sua capacidade e limitações, a avaliação é superficial e demonstra quase que um descaso com a situação do menino, se houvesse um acompanhamento diferenciado, atividades de acordo com suas potencialidades, a avaliação seria mais especifica.

A impressão que se tem é que se há, é pouco o envolvimentoe o comprometimento da escola em relação ao aluno(a mesma; no caso funciona como deposito) a pessoa que escreve o parecer deixa a impressão de desconhecer a criança e suas dificuldades, toda criança especial ou não deve ser tratada e avaliada de forma unica e especial e não como parte de um todo, uniforme...Em nosso municipio a criança especial ainda não recebe o tratamento adequado ao qual teria direito, são avaliadas pela pedagoga que encaminha a psicologa que por sua vez encaminha a psiquiatra e essa as vezes ao neurologista, não são feitos laudos confiaveis, os professores não são orientados e nem sempre demonstram boa vontade em atender esse aluno, ainda estão muito na teoria e pouco na prática...

Infelizmente no momento em que recebi essa avaliação fiquei sabendo que o menino esta internado em um hospital psiquiatrico em Porto Alegre, muito pode ser questionado em relação a tal atitude, mas basicamente na minha opinião é a maneira mais fácil do poder público, da escola e da familia livrarem-se do "problema". 

Comments (4)

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 10:42 pm on Apr 14, 2009

Stela, como sempre falo, o apoio da familia é esencial para o desenvolvimento do aluno, pelo teu relato percebe-se que o menino esta gritando por socorro, por atenção, carinho. Pelo teu relato essa mãe esta precisando de ajuda tambem, muitos pais se negam a aceitar o fato do seu filho ser PNEEs.Tambem a tua colega, deve de ela procurar subsidios para ajudar o seu aluno, não esperar a receita pronta, quem sabe nossa disciplina de mostre alguma caminho que tu possas ajuda-la.
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 8:47 pm on Apr 23, 2009

Stela
há muito trabalho para ser desenvolvido com Pedro, parece que as coisas não estão se desenvolvendo como deveriam . Pelo relato, percebe-se uma familia violenta que pode estar provocando alguns dos comportamentos dele, e que em nada tem relação com "deficiência" A agressividade que ele mostra é resultado da forma como ele é tratado em casa. O fato de gostar de livros é um ótimo começo e por ai poderia ser feito um trabalho de inclusão....pena que a prof. de sala de aula não perceba o potencial do livro como uma ferramenta para a inclusão....sugere para ela observar o que a professora da hora do conto faz que encanta o menino.. Um elemento fundamental no trabalho com crianças com disturbios emocionais é por exemplo criar um vínculo de confiança....é esse o primeiro passo.
pensa a respeito...e investiga mais!
parabens
lili

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 9:32 pm on May 31, 2009

Olá, Stela, quem sabe agora que ele mora perto de tua casa pasas a conviver com ele e com a familia, procurando criar vinculo afetivo, claro com cuidado para não ter problemas, nem aumentar a violencia em casa. Esse menino esta pedindo socorro, se a mãe é violenta e agora foi morar com alguem parecido, tadinho do Pedro. Outra coisa, arruma o teu dossiê, coloca as atividades por unidade, uma embaixo da outra, assim fica mais facil para a leitura.
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 11:28 pm on Jun 24, 2009

Stela

estas indo muito bem com teu dossiê, mas precisas complementar teu estudo de caso com as orientações da unidade 6 e 7
falta bem pouco, entao vamos la?
abraços
lili

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